Autoridade mediatizada: o “efeito Mateus” e a lógica de mídia na divulgação científica dos cientistas brasileiros
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Apresentação no GT 1 — Digitalización, Tecnociencia y Comunicación, durante o XXXV Congresso Latino-americano de Sociologia, realizado na UFRJ sob o tema “Entre a policrise e as alternativas: horizontes da sociologia crítica latino-americana”.
Resumo
A reconfiguração dos ecossistemas de comunicação impulsionou o que Polino e Castelfranchi (2012) denominam “virada comunicativa”, pressionando cientistas a assumirem um papel público central. Contudo, persiste o debate se esse movimento reflete uma democratização efetiva da expertise ou se a prática permanece condicionada por estruturas tradicionais e filtros externos (Bucchi, 2009). Este trabalho investiga os determinantes do engajamento público na elite científica brasileira, testando a hipótese de que a circulação do conhecimento e a divulgação científica são estruturadas pela lógica midiática.
Apoiado em um survey com 1.421 Bolsistas de Produtividade do CNPq, utilizou-se um modelo de Regressão Linear Múltipla (Hair et al., 2009) para isolar variáveis institucionais e comunicacionais. Os resultados corroboram empiricamente a tese de Massarani e Peters (2016) sobre o caráter reativo da interação ciência-mídia: o preditor mais robusto do engajamento foi a demanda prévia de jornalistas (β = 0,14; p < 0,001). Isso evidencia um “efeito Mateus” na visibilidade pública, onde a autoridade científica não é exercida autonomamente, mas curada por critérios de noticiabilidade.
Ademais, confirmou-se a influência das “culturas disciplinares” apontada por Crettaz Von Roten e Moeschler (2010): enquanto as Humanidades lideram o debate público (β = 2,63), as Engenharias (β = −1,65) e as Ciências Exatas (β = −1,23) permanecem significativamente isoladas, sugerindo a persistência do “modelo de déficit” de divulgação científica nas áreas tecnológicas. Conclui-se que a autoridade expert disponível na esfera pública é distorcida por barreiras disciplinares e pela seletividade dos meios, desafiando a construção de práticas de divulgação científica dialógicas.
Materiais
Discussão mais longa sobre o argumento deste trabalho: o cientista brasileiro visível é o cientista procurado.
