Pesquisa

Tese em andamento

Língua, legado e ciência: cientistas e divulgação científica na lusofonia — doutorado em Sociologia, PPGS/UFMG, desde 2024, orientação de Yurij Castelfranchi.

A literatura sobre divulgação científica cresceu investigando o que o público pensa da ciência. Muito menos se sabe sobre o outro lado: o que os cientistas pensam da divulgação, e o que os leva a praticá-la ou a evitá-la. Minha dissertação de mestrado tratou desse problema no Brasil e encontrou um quadro que não se resolve em “a favor” ou “contra” — pesquisadores majoritariamente favoráveis à comunicação, mas oscilando entre modelos informativos e dialógicos, e com práticas limitadas por barreiras institucionais.

A tese leva a investigação a um plano comparativo e teoricamente mais denso. A pergunta central é:

Como as percepções e práticas de divulgação científica de pesquisadores no espaço lusófono são moldadas pela sua inserção na divisão geopolítica do trabalho científico, por dinâmicas de dependência e por heranças coloniais?

A hipótese que organiza o trabalho vem da articulação entre os estudos sociais da ciência em contexto periférico (Kreimer) e a teoria da dependência (Marini, Varsavsky). Se a progressão na carreira de um cientista está atrelada ao circuito internacional — publicar em inglês, em periódicos de alto impacto, com agendas definidas fora —, então comunicar em português, para um público nacional, tende a ser percebido como atividade secundária e pouco recompensadora. Se, ao contrário, houver um impulso institucional em direção à soberania científica, a divulgação pode aparecer como ferramenta de construção de capacidade científica nacional. A percepção da utilidade da divulgação torna-se, assim, um indicador de como os cientistas navegam essas pressões geopolíticas.

O pilar metodológico é um survey aplicado a cientistas de países de língua portuguesa — Brasil, Portugal e países africanos de língua oficial portuguesa —, desenhado para ser culturalmente válido e comparável entre contextos bastante distintos entre si.

Estágio doutoral na Universidad de Oviedo — set/2026 a mai/2027

Entre setembro de 2026 e maio de 2027 realizo estágio doutoral na Universidad de Oviedo, na Espanha, sob coorientação do Prof. Dr. Carmelo Polino, pesquisador sênior do grupo CTS (Ciencia, Tecnología y Sociedad) com bolsa PDSE/CAPES.

Objetivo geral: aperfeiçoar o desenho metodológico e a estratégia analítica da pesquisa sobre percepções de cientistas lusófonos acerca da divulgação científica.

Resultados esperados: versão final validada do questionário, desenho amostral aprovado, plano de análise pronto para implementação e, como produto de síntese, um capítulo da tese ou artigo sobre o desenho metodológico do estudo.

Projeto anterior: percepções de cientistas brasileiros

O trabalho atual nasce da dissertação de mestrado (2023), que investigou como cientistas brasileiros percebem a divulgação científica e propôs uma tipologia desses perfis a partir de Análise de Classes Latentes. Os resultados foram publicados na Revista Iberoamericana de Ciencia, Tecnología y Sociedad em coautoria com Yurij Castelfranchi e Luisa Massarani, e estão disponíveis também em formato interativo.

Marco teórico

  • Ciência periférica e dependência — Kreimer (2019) sobre a divisão internacional do trabalho científico e a tensão entre autonomia e heteronomia; Varsavsky (2018) e Marini (2005) sobre o “cientificismo” que leva o cientista periférico a alinhar-se a um mercado científico central.
  • Modelos de comunicação da ciência — déficit (Bucchi, 2009), diálogo e participação (Brossard e Lewenstein, 2021), e os diferentes papéis que cada um atribui ao cientista e ao público.
  • Percepção da ciência na Ibero-América — Polino (2019, 2024) sobre estratificação social, desigualdade informativa e o “giro comunicativo” latino-americano.

Grupos e redes


Aberto a colaborações, bancas e entrevistas sobre percepção pública da ciência e políticas de divulgação: mapereira@ufmg.br.